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Feira Pan-Amazônica homenageia Mário Faustino e a poesia

Mário Faustino e Benedito Nunes, uma amizade feita de poesia

 

A XXI Feira Pan-Amazônica do Livro, este ano, proporcionará uma experiência sem fronteiras em um novo país que abriga todos os continentes, um território aberto para o pensamento e a emoção. Que país é este? A Poesia.  E neste lugar, um grande poeta brasileiro será homenageado, Mário Faustino, nordestino de coração paraense, nascido em Teresina, em 1930, e que pertenceu a uma geração que desnudou o poema como arte e inquietude.

Ao atingir sua maioridade, a Feira Pan-Amazônica do Livro, lança outros olhares para a literatura, como destaca Paulo Chaves, secretário de Estado de Cultura, ao expor o tema deste ano. “A poesia é o lugar que os novos navegadores contemporâneos precisam descobrir, como faziam os portugueses e espanhóis nas grandes descobertas marítimas dos séculos XV e XVI”.

Paulo Chaves conta que o tema dessa nova versão surgiu durante a gincana literária realizada no Hangar, numa roda de poesia, no ano passado. Naquele momento houve uma convergência de ideia e anseios, como ele conta. “Eu não sei o que veio primeiro, se o país ou escritor a ser homenageado e é até bom que não se saiba quando as coisas se entrelaçaram. Uma puxou a outra e o Mário Faustino, a quem a vontade de homenagear vem de muito tempo, por uma razão ou outra, sempre foi preterido e agora terá sua vez”

A Feira é um evento popular que junta fãs e seguidores de Belém e de outros municípios. Na avaliação da diretoria da Secult, por não ser um evento de segmento específico, sua abrangência é diversificada e vira chamariz de um público de ampla faixa etária como, por exemplo, as crianças, que correspondem a 30% na faixa de até 14 anos de idade. “A Feira atrai a família toda e os pais fazem questão de aproveitar este momento para comprar nem que seja um livro para seus filhos”, destaca Ana Catarina Brito, diretora de Cultura da Secult.

Nesse ponto, a Feira Pan-Amazônica do Livro, vai na contra-mão do que se acredita:  que o brasileiro pouco lê. A busca por livros, durante o evento, sustenta o que disse a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro, divulgada este ano, demonstrando que o número de leitores no Brasil cresceu.  Em 2011, o percentual de leitores, que que era de 50%, quatro anos depois subiu para 56%.  Mas ainda é a alta a população de leitores que não lêem.

A Feira Pan-Amazônica, ao longo de duas décadas, é um grande atrativo para a juventude. A última pesquisa, mostrou que 45% do público visitante são constituídos por uma população de 15 a 29 anos e que 90% dos jovens entre 15 e 18 anos gostam  de livros. A pesquisa foi realizada em 2015, quando foram ouvidos 650 visitantes. Neste ano, mais de 400 mil pessoas passaram pelo Hangar, onde o evento é realizado anualmente. Isso é um indicativo de que a literatura não faz parte de um mundo distante.

 

A extensão das ações realizadas são um dos diferenciais do evento. A Feira não se restringe apenas aos dez dias da programação realizada no Hangar. Espacialmente o evento rompeu a barreira física da exposição e dos seminários, contabilizando resultados positivos com outras ações desenvolvidas nas comunidades, como acontece com a rede de ensino público que, há treze anos, participa da Gincana Literária, que promove o encontro entre estudantes e escritores locais e suas obras. Em sala de aula, eles interpretam a leitura dos livros que recebem para a gincana, três meses antes. É uma ação que pode produzir jovens leitores mais críticos nessa imersão literária. Cerca de 800 alunos já participaram diretamente das equipes da Gincana Literária, estudando as obras de cerca de 40 autores escolhidos a cada ano pela coordenação, desde o início desta ação até hoje.

Este ano, estão sendo estudados pelas escolas que participam da gincana, os autores Maria Lúcia Medeiros, Bruno de Menezes, Lindanor Celina e Stella Pêssoa.

Uma nova atividade para estimular o fortalecimento dos laços dos estudantes com a literatura é a campanha de doação de livros lançada no ano passado, como ítem de pontuação das equipes que participam da Gincana Literária. Os livros foram destinados a às bibliotecas das escolas participantes. Atualmente, o Estado do Pará conta com cerca de 200 bibliotecas escolares e outras cinco bibliotecas estaduais na capital.

Além de atender o mercado livreiro como tradicionalmente fazem outras feiras promocionais, a Secult tem uma parceria com esse setor que vai mais além. Este ano, as editoras doaram os livros dos escritores que participarão desse grande intercâmbio literário que são os Encontros com Escritores Paraenses e o Encontro Literário e que foram distribuídos em escolas nas quais os professores preparam os alunos para estar na plateia interagindo com os autores.  Essa interação abre caminhos para um leitor que passa a ter acesso à produção dos escritores.

Plantar sementes, prosa e poesia

 A Feira, indubitavelmente, reafirmou-se como o maior evento literário da Amazônia e a cada ano põe em prática a maior participação do público-alvo. Quando a Terra foi escolhida como o país homenageado, em 2015, a Secult já trazia na programação de cada edição do evento o tema meio ambiente e no centro dessa discussão, a questão da sustentabilidade. Homenagear a Terra trouxe para a pauta do evento temas como, por exemplo, sustentabilidade, só que com uma proposta menos teórica e isso resultou na concepção do Projeto Plantar, uma forma de interagir com a comunidade das escolas que aderiram ao projeto.

 O Projeto Plantar, realizado em conjunto com a Secretaria de Estado de Educação e contando com a parceria de outras instituições como a Embrapa, Emater, Sedap e Ideflor, este ano conseguiu a adesão da Universidade do Estado do Pará, que vai levar para a academia uma experiência de conhecimento na prática. O projeto, neste primeiro ano, promoveu o plantio de 131 espécies florestais - das 842 mudas distribuídas pela Embrapa - em 15 escolas da rede pública de ensino, que contaram com a orientação técnica sobre os cuidados com as espécies plantadas. Os coordenadores do projeto pretendem dobrar o número de escolas nesta ação.

 O Projeto é uma proposta que avançou além do conceito de cultura e dos produtos culturais e criou atividades que alcançaram a população no tocante ao debate sobre a vida em equilíbrio no planeta e abriu a visão em relação aos temas ambiental e social. Utilizando o plantio de muda nas escolas, que os alunos cuidam diariamente. Cada árvore tem um padrinho.

 Outro ponto forte da Feira é programa Credlivro, criado pelo governo do Estado, que facilita o acesso à compra de livros. De acordo com Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a XXI Feira Pan-Amazônica do Livro terá um incentivo de quatro milhões e seiscentos mil reais para os 23 mil professores da rede estadual de ensino. Em tempos de crise, o bônus é muito bem-vindo.

 A XXI Feira Pan-Amazônica, promovida pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura, abre no dia 26 de maio, no Hangar Centro de Convenções, e fica até o dia 4 de junho.