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Estudantes lotam sarau promovido pela Feira Pan-Amazônica do Livro

 

O sarau literário realizado na noite de quarta-feira, 20, no Teatro Estação Gasômetro do Parque da Residência, atraiu mais de trezentos estudantes de quatorze escolas da rede pública municipal e estadual de ensino, professores e público em geral. O evento integrou as ações da Feira Pan-Amazônica do Livro, que este ano chegou à vigésima primeira edição. O tema da palestra foi “Cartas na vida, literatura nas cartas”, apresentado pela professora e escritora Amarílis Tupiassu, que levantou a plateia ao mostrar esse universo cheio de mistérios, aberto a infinitos passeios.

A professora Amarilis Tupiassu falou compôs esse roteiro para a plateia, na abertura: “Quando você fala sobre carta, missiva, epístola, tudo é a mesma coisa”, mas a palavra carta, que surgiu na Grécia e que originalmente significava papel, evoluiu e na mistura das ramificações gregas e latinas das duas línguas, ganhou o mundo, gerando fusão de palavras e mudança de sentidos.

As cartas trouxeram nova vida para o mundo dos livros e o que se convencionou chamar de literatura epistolar exerce enorme fascínio entre linguistas, pesquisadores, professores e, especialmente, em milhões de leitores cativos desse gênero. “Epístola tem vários sentidos, um deles, de carta, que vai prevalecer, mas hoje tudo misturado está misturado e carta acaba sendo também missiva, que se originou no verbo mittere, que significa enviar. A rigor,  missiva  é só a carta que você sobrescrita, endereça, envelopa, sela e manda, antigamente por alguém, depois pelo correio, mas hoje, entrou a internet”, diz Amarilis ao falar também da evolução tecnológica que veio lenta, que pode ser vista com a chegada do telefone e fax: “Veio o telefone, primeiro para pequenas distâncias, depois para grandes e ele vira meio para o fax, hoje temos o celular, estamos numa nova era na qual a carta começa a se transformar, na qual você não fala mais em carta e, sim, no e-mail”.   

As colocações feitas por Amarilis Tupiassu focaram para as dimensões nas quais a palavra carta se expande. “Por isso minha fala aponta para esse título ‘Carta, insubmisso antigênero ou quando o gênero se desfoca’. Quando você fala em epístola, fala por exemplo, das epístolas das prisões, das epístolas sagradas e daí já se perde o sentido de carta, ela passa a ser mensagem. Mas a literatura epistolar é usada para carta, pois é mais eufônica do que se dizer literatura missívica”.

Na segunda parte da palestra, Amarilis Tupíassu fez um roteiro de grandes autores que marcam esse gênero literário, como Rainer Maria Rilke e suas cartas a um jovem poeta; Anne Frank, famosa por seu diário de guerra, no qual escreve cartas para um personagem imaginário, os temas políticos da correspondência mantida entre Marx e Engels, as cartas de James Joyce a Nora e de Fernando Pessoa para Ofélia, explodindo de amor e contradições, como os as certas e Kafka e de memórias de “Querido Ivan”, do paraense Haroldo Maranhão. Ela ainda citou a carta na música, a outra banda dessa escrita, e citou, na palestra, como exemplo das “cartas de favor”, o samba “Antonico” (1950), de Ismael Silva, no qual pede ao personagem Antonico que socorra o Nestor, um cara que está na pior. A carta poderia ser escrita por qualquer um, nos dias de hoje.

A carta é um baú de insuspeitos desejos e pode vir carregada tons dramáticos, eróticos e de aventuras. Quem ler as cartas de Pero Vaz de Caminha sobre a chegada ao Brasil, poderá entender o que foi o olhar de um europeu à liberdade e nudez do índio. Cartaz remetidas ou publicadas revelam os desejos humanos a quem interessar possa.

Amores e intrigas

Depois da palestra da professora Amarilis Tupiassu, entraram em cena os atores Waldiney Velascos e Maía Monteiro, da Cia do Sarau que apresentaram performances dos livros “Ligações Perigosas”, de Chordelios de Laclos, romance epistolar do século XVII, que foi levado às telas de cinema e ganhou versão em uma novela da Globo, e outras tantas adaptações para teatro e cinema. Esse livro, marco da literatura libertina, conta a história de um homem que deseja seduzir uma mulher casada e muito religiosa a quem quer ter como amante. Tudo isso é contato através de cartas.
            A Cia do Sarau recriou uma cena de “Cartas de amor de Edith Piaf”, cantora que é uma legenda da música romântica francesa, que muito sofreu por amor.

O sarau durou mais de duas horas e segurou a plateia até o final, quando foram sorteados livros e outros brindes, feito pela apresentadora do evento, Betty Dopazzo.

O Sarau literário fechou mais uma programação da Feira Pan-Amazônica do Livro, promovida pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura. O evento do Gasômetro foi feito em parceria com a Secretaria de Estado e Educação.