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Récita atrai grande público para Praça da República

 

 

Famílias inteiras se reuniram na Praça da República, na noite de sábado, 23, para assistir ao concerto de encerramento do XVI Festival de Ópera do Theatro da Paz, em Belém. Foi uma noite memorável com a presença dos solistas e coro lírico do evento, além de participações especiais de Fafá de Belém, Trio Manari, Davi Amorim (guitarrista) e Luiz Pardal (teclado). As cadeiras disponibilizadas pelo festival foram todas ocupadas e o público armou na grama as suas cadeiras de praia e banquinhos para curtir a noite, que teve a Orquestra Sinfônica do TP com a regência de Cibelle Donza e Agostinho Fonseca Junior.

Árias de óperas famosas como La Cenerentola (Rossini), Il Trovatore (Verdi), Don Giovanni (Mozart) e Tannhäuser (Wagner) foram apresentadas nas vozes de Dhuly Contente (soprano), Idaías Souto (barítono), Kézia Andrade (soprano), Lanna Bastos (soprano), Marina Considera (soprano) e Silverio De La O (barítono); além de Aliane Sousa (mezzo soprano). E o público cantou junto: a paisagista Rosa Venturieri, 62 anos, acompanhou o espetáculo entusiasmada. Ela é aluna do curso de italiano e aproveitou para treinar.

"Gosto de italiano e não sei falar bem, mas são minhas raízes. Esse concerto é uma maravilha, se todos fossem assim seria ótimo. Nem sempre consigo comprar os ingressos para a ópera. E aqui fora é muito bom, é uma coisa dos deuses ver essas músicas aqui, vou ouvindo e entendo alguma coisa do idioma. Gosto de ver música lírica, são coisas de sonho, quando se ouve música dessa você se transporta na realidade", disse.

A estilista Jaqueline Bertizolo, 51, também acompanhou o concerto, ao lado do marido Bernardo Matos, 52, e estavam bem próximos ao palco. O casal é de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e mora em Belém há três anos, e durante esse tempo não deixou de comparecer a nenhuma das edições do festival e do concerto em frente ao Theatro. "Estou gostando bastante, já é a terceira vez que acompanhamos. Também assisti a ópera Don Giovanni, foi muito bonita, achei o enredo forte", comentou.

E para alegria dos espectadores, este ano, por sugestão do secretário de Cultura, Paulo Chaves, algo inédito ocorreu neste evento: a participação de uma cantora popular. Fafá de Belém subiu ao palco entoando os famosos versos do nosso carimbó: "Ô chama Verequete, ô", para lembrar o mestre Verequete, que empresta seu nome à música e é um dos maiores ícones do gênero. Ela também cantou clássicos de Paulo André e Rui Barata e "Nazaré", de Almirzinho Gabriel. E a pedidos do público, que insistia para que ela voltasse cantar, saiu do palco cantando Vois sois o Lírio Mimoso, num misto de agradecimento e prenúncio ao Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

"Para mim é maravilhoso, canto muito com orquestras sinfônicas, desde 1985. Como paraense é uma honra imensa participar e assistir o festival. Eu procuro vir todos os anos para ver as apresentações, pelo menos uma, sempre que posso venho de São Paulo. A visão que se tem da música erudita às vezes é uma visão torta. Esse teatro lota todos os dias e isso é maravilhoso, num momento em que a banalização está na ordem do dia. Nós temos essa coragem de fazer um festival de porte internacional", comentou Fafá de Belém.

 

Por Dominik Giusti