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Miniaturas de comunidades ribeirinhas feitas de papel reciclado

 

O papel é a matéria prima da exposição “Paisagismo ribeirinho em miniatura”, aberta até o próximo dia 20 de outubro, no Museu do Forte do Presépio e que reproduz as habitações construídas às margens dos rios da região amazônica. As maquetes, que reproduzem comunidades ribeirinhas, foram instaladas sob as árvores que ficam na área externa do museu e chamam a atenção dos visitantes, pois não são peças estáticas, elas giram sob um aparato que lembra os varais de vendedores de brinquedos no Círio.

Mais de cem peças foram confeccionadas para construção das comunidades ribeirinhas, formadas por casas, igrejas e o comércio entre outros elementos dessas pequenas cidades imaginárias.  Estas instalações foram feitas “com base filosófica centrada na “Poética do Espaço”, de Gaston Bachelard, falecido em 1962. A equipe de educadores do Forte do Presépio estabeleceu uma relação com a morada daquelas comunidades que, eventualmente, utilizam figuras coloridas para revestir paredes e encobrir frestas”, explica Saint Clair Gonçalves Dias, técnico em gestão cultural e coordenador do projeto de arte-educação do museu, que faz parte do Sistema Integrado de Museus da Secretaria de Estado de Cultura - Secult.

A mostra do Forte do Presépio foi concebida a partir do trabalho feito pela equipe de arte-educadores do museu com estudantes ribeirinhos que frequentam a Escola Estadual Gonçalo Duarte, localizada no bairro do Jurunas, zona urbana de Belém. “Nós trabalhamos com 27 alunos da escola o tema “Casa como morada dos meus sonhos”, que resultou numa exposição na escola e que não saiu desse espaço”, conta Saint Clair que, depois dessa experiência, levou a ideia para o grupo de arte-educação que atua no museu, formado por quatro profissionais e dois estagiários, e em um mês, antes do Círio, montaram as maquetes da exposição de miniaturas.

A inspiração em Bachelard busca mostrar os espaços felizes, como podem ser as casas. O filósofo francês defende que a casa é o espaço do nosso ser íntimo e transcende a morada física, segundo Saint Clair juntou-se a outro conceito: “A produção se enquadra na linha da Arte Povera, por se apropriar das publicações destinadas ao lixo, por já terem esgotado seus prazos de validade”, explica o coordenador da exposição e acrescenta: “É importante ressaltar que essas maquetes foram feitas com papel dos livros didáticos que iriam ser descartados”.

A Arte Povera, que significa “Arte Pobre”, foi um movimento artístico de vanguarda que surgiu na Itália, em 1967. O termo foi criado pelo historiador e crítico italiano Germano Celant, no catálogo da exposição “Arte Povera – ImSpazio, realizada em Veneza. O movimento era uma reação crítica à sociedade de consumo, ao capitalismo e aos processos industriais e questionava o valor da arte. As criações desse movimento foram representadas principalmente na pintura, escultura, instalações e performances.

            As instalações da exposição “Paisagismo ribeirinho em miniatura” seguem também o conceito de arte cinética, pela utilização de mecanismos para simular a dinâmica dos carrosséis nas festas de arraial dessas comunidades. O motor usado nas peças cria o giro completo, lentamente, para mostrar a arquitetura das comunidades ribeirinhas, lembrando cidades flutuantes, em 360 graus.

 

Serviço: Exposição “Paisagismo ribeirinho em miniatura”, até 20/10, das 10h às 13h, com mediação dos educadores do Museu do Forte do Presépio.