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Salão do Livro em marabá atrai estudantes de municípios próximo

 

Muita gente aproveitou o final de semana para visitar o I Salão do Livro do Sul e Sudeste do Pará, que segue até o dia 6 de maio, no auditório do Carajás Centro de Convenções Leonildo Borges Rocha, em Marabá. No domingo (29), inclusive, o evento foi ponto de encontro de comitivas de estudantes de municípios próximos, como Itupiranga.

 

Quem foi ao Salão, pela manhã, pôde apreciar uma apresentação da Companhia de Dança de Tucuruí e a oficina “Os encantos do cordel” ministrada pela cordelista Lusinete da Silva. Para ela, esse tipo de literatura, “é uma cultura a ser trabalhada nas escolas, porque atrai o aluno para a leitura e para os saberes regionais”, destacou.

À tarde, na Sala Pará, estudantes e professores aprenderam um pouco mais da história da região com a palestra “Historicizando o sul e sudeste”, com o professor da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Airton Pereira. Os pontos principais trabalhados foram o processo de migração e povoamento, bem como as cidades e os conflitos sociais gerados. Na sequência, a psicanalista Pollyana Souto participou de uma roda de conversa com o tema “Biblioterapia: a terapia através da leitura”. A psicóloga explicou que “a criança e adolescente não conseguem falar como adultos sobre seus problemas no divã. Eles fazem isso através dos livros, dos desenhos ou da música. Seja um problema na escola ou em casa, e até questão de abuso, eles podem revelar por meio do personagem daquela história. Já trabalhei no Tribunal e as crianças que eram vítimas de violência falavam através de histórias dos livros. Geralmente elas se identificam com algum personagem”, detalhou.  

Enquanto uns apreciavam a palestra e as Rodas de Conversa, outros aproveitavam a programação do auditório João Brasil. O projeto voluntário “Batidas com perfeição – Bape” mostrou vários ritmos, da Música Popular Brasileira ao rock, ao som da bateria. O presidente do projeto, Luiz Baterazz, como é conhecido, explicou que a iniciativa ajuda crianças e jovens a aprender a usarem o instrumento.

“O Bape angaria iniciantes e intermediários na bateria, o objetivo é incentivar os alunos novos a criar novos rumos para a bateria. O instrumento não é um dos mais difíceis e é um dos preferidos da criançada. Estou me formando em pedagogia e vejo que a parte motora da criança. Percebo a coordenação e trabalho com deficientes e com pessoas com síndrome de down. Vejo evolução na coordenação. Então a bateria não é só um instrumento para profissionais”, disse.

Ele explicou ainda que o Bape “é um projeto independente meu e do Igor Bernado, baterista da GAP (Galeria de Artes do Pará). Todos são voluntários, vamos buscar parcerias para ajudar essas crianças. Conseguimos atender semestralmente nas escolas, igrejas, bairros periféricos, dentro do nosso tempo, já que temos nossas atividades. Sou militar, músico formado e trabalho como freelancer. Fazemos workshop, trabalhamos com miniconcurso. Quem quiser pode procurar a gente pelas redes sociais, solicitar o projeto”.

A forma como Luiz Baterazz usou a bateria cativou o estudante e músico de Itupiranga, Luciano Araújo. Ele já pensa em deixar a guitarra de lado para aprender o novo instrumento musical.

“Foi muito interessante o jeito dele comandar as baquetas, sua reação na bateria, junto com a melodia, foi muito bacana. Toco guitarra, vê-lo tocar despertou a vontade de começar a tocar bateria também”.

MUSICANDO

Depois foi a vez do projeto “Musicando” da GAP levar canções para um público formado por crianças, papais e mamães. A coordenadora, Daiana Viegas esclarece que a apresentação foi criada para o Salão, mas espera realizar outras ainda este ano.

“O Musicando é composto por 12 canções do repertório brasileiro e da nossa região. São músicas para adultos com performance infantil. Tocamos com brinquedos e as crianças participam e se divertem com isso. Esse é só o primeiro, mas a gente tem intenção de fazer mais dois com novo repertório. Vamos apresentar no Salão a ‘Receita de felicidade’ músicas que falam de comida, família e amizade, todos vestidos de chef. A gente vai brincar com massa tocando instrumentos, será bem legal”, antecipa.

Ela explica que a GAP completa cinco anos em julho e começou como uma escola de música. “Hoje também temos setor de educação infantil para crianças de 2 a 5 anos. Musicalização faz parte do dia a dia da escola. Temos alunos, que não são do Gapinho, mas que podem participar da musicalização toda as segundas e quartas à tarde”, concluiu.

À noite, o auditório cheio aguardava a programação mais esperada do dia, o Sarau Performático “Filhos da Terra”, criação do escritor Zhumar de Nazaré com a Associação dos Escritores do Sul e Sudeste do Pará, Instituto Cultural Hozana Lopes de Abreu e grupo Historiarte.

Zhumar pontuou que “fazer um sarau performático é fazer um espetáculo onde as poesias são apresentadas através de cenas com elementos da cultural local. Tudo é centrado na poesia, mas também há música, teatro e encenação”, resumiu.

A apresentação que iniciou com uma declamação sobre o rio feita pelo escritor Bertim de Carmelita, trouxe personagens da região como o pescador, as lavadeiras e as mulheres dos castanhais como.

“Foi exatamente da ideia do rio, que é matriz, e considerando as raízes da cidade, as pessoas, personagens e histórias que vieram desse rio, como o boto, as lavadeiras, as mulheres dos castanhais que também têm todas as suas tradições ligadas aos saberes das ervas medicinais”, afirmou.

O sarau encerrou com uma performance apoteótica dos integrantes do boi bumbá Flor do Campo. A professora Marluce Caetano, do projeto Marabá Leitora, ficou maravilhada.

“É fantástico, a gente se deleita junto. Vivemos numa terra em que pode gritar, agradecer por essa perfeição de dança, de música, essa letra maravilhosa. Sou mineira, me considero marabaense de coração, estou aqui há 30 anos, o Salão veio trazer para nós aquilo que já somos e queremos ser, esse é um espaço maravilhoso”, disse.

 

Foto Elza Lima

Por Kelia Santos