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Secult apresenta projeto do Memorial da Arqueologia dos Povos Originários do Pará

O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), apresentou na última sexta-feira (19) o Projeto Casa da Mata - Memorial da Arqueologia dos Povos Originários do Pará, que será inaugurado em julho deste ano, durante a Semana de Proteção das Florestas. Instalada no Parque Estadual do Utinga, em Belém, a Casa da Mata ocupará uma área de 365 metros quadrados (m²) e será um espaço expositivo – em condições adequadas de umidade, temperatura, luminosidade, proteção contra incêndio e demais itens de segurança de uma reserva técnica -, que abrigará o acervo arqueológico das regiões do Marajó e Tapajós, que está sob a guarda do Museu do Estado do Pará (MEP).

A Secult também já está negociando com outros órgãos estaduais a cessão, por regime de comodato, de peças arqueológicas de várias regiões do Pará. A intenção é valorizar e preservar o acervo cultural dos povos indígenas originários, fomentar pesquisas e promover intercâmbios culturais.

O projeto foi apresentado durante a celebração alusiva ao Dia do Índio, oficializado no Brasil em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas. A data visa lembrar a todos a importância da preservação da identidade, dos direitos e da cultura das populações indígenas brasileiras. Segundo a secretária de Cultura Ursula Vidal, independentemente da data, apenas um dia não é o bastante para lembrar os povos nativos do Brasil. “A data é marcada de preconceitos, a começar pelo fortalecimento da ideia de as crianças irem às escolas e voltarem pintadas e com cocar, pois esse é o estereótipo, a visão preconceituosa que se construiu em torno da cultura indígena. Para os indígenas, e para nós, todos os dias são de luta e afirmação”, ressaltou.

Na programação houve ainda roda de conversa sobre cultura indígena, danças e cânticos, pintura corporal e venda de artesanato. A Casa da Mata, que também contará com ações educativas, funcionará das 10 às 17 h, exceto às terças-feiras, por conta da manutenção do Parque do Utinga, que neste dia não abre ao público. A iniciativa é uma realização do Governo do Pará, por meio da Secult, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio).

O Parque - Criado nos anos 1990, por um decreto do Governo do Estado, o Parque Ambiental de Belém foi instalado em uma área de 1.393,088 hectares, com o objetivo de preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica (principalmente os lagos Bolonha e Água Preta, que abastecem a Região Metropolitana de Belém), estimular a realização de pesquisas científicas e incentivar o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, incluindo o turismo ecológico. Para possibilitar a abertura do parque à visitação pública, foram construídos diversos prédios na área, dentre os quais estava a atual Casa da Mata. Antes denominado Centro de Visitação, o prédio projetado pelo conceituado arquiteto e engenheiro Milton Monte - cujas obras são reconhecidas internacionalmente - foi inspirado nas casas indígenas e em elementos amazônicos, com a função de receber os visitantes. Com a reforma realizada em 2016, o local passou a se chamar Parque Estadual do Utinga (Peut), e a Casa da Mata passou por algumas intervenções para melhorar a infraestrutura, como a relocação dos banheiros e a reforma das passarelas de acesso aos mirantes do lago Água Preta, porém sem alterar o sistema de cobertura, com telhas cerâmicas e beirais adaptados ao clima da região, tão característicos da obra arquitetônica. “Eu Existo” –

Ainda dentro da programação dedicada aos indígenas, Ursula Vidal esteve na Aldeia Kokraxmôrô, em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, uma das sedes da programação da Semana dos Povos indígenas, realizada pela Prefeitura de São Félix. Nesta edição, o tema foi “Eu Existo”, frase que revela a luta pela garantia de direitos dos povos indígenas do Xingu e de todo o Brasil. A secretária participou de uma dança ao lado de mulheres e meninas das etnias Kayapó e Mebêngôkre, ritual que marcou a chegada dos representantes do Governo do Estado à aldeia.

Conhecer a realidade dos povos nativos do Brasil é um dos primeiros passos da Secult para a elaboração de políticas públicas que valorizem as populações indígenas. “Assumimos um compromisso de valorização da cultura e da tradição dos povos originários e da difusão do conhecimento e da sabedoria desta gente, que nos ensina o equilíbrio das águas e das florestas, e a preservar a vida”, disse Ursula Vidal. Também participaram da ação Rosa Neves, diretora executiva do Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama), instituição que gerencia o Espaço São José Liberto; a prefeita de São Félix do Xingu, Minervina Barros, e o secretário municipal de Cultura, Ezequiel Cazuza.