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Arquivo Público completa 116 anos e quer ampliar número de visitantes

Com um acervo de mais de 4 milhões de documentos, o Arquivo Público é centro de referência histórica

 

O clima é de dupla comemoração. Afinal, além de completar 116 anos de fundação, o Arquivo Público do Estado do Pará (Apep) está em contagem regressiva para voltar à sua casa original, e com nova diretriz. Depois de três anos de reforma na parte estrutural, o prédio do Arquivo Público será reaberto no final de junho, com a proposta de ser um espaço frequente de consultas, sem marcação prévia de visitas, o que antes era feito pelo site da instituição.

Para celebrar mais de um século de existência, ex-diretores do Arquivo Público se reuniram na manhã desta terça-feira (18), no auditório do Museu do Estado do Pará (MEP), para discutir suas experiências e reiterar a importância histórica do Apep.

“Este momento reafirma a importância do Arquivo Público do Estado do Pará. A memória da nossa região depende em grande parte do acervo documental que esse arquivo possui, e por isso ele é tão importante quanto a Catedral de Belém, a Igreja de Santo Alexandre e outros lugares. A diferença é que ele não é tão visível. As pessoas nem imaginam que existem esses documentos. e é importante esse tipo de evento para chamar a atenção”, afirmou Márcio Meira, que dirigiu o Arquivo no período de 1985 a 1988.

História da região - Com um acervo de mais de 4 milhões de documentos, entre escrituras, inquéritos e iconografias, produzidos a partir do século XVII na Amazônia, o Arquivo Público do Pará resguarda grande parte da história da região. O documento mais antigo, datado de 1649, mostra as demandas administrativas do capitão-geral de Belém para o rei de Portugal, com pedidos de fardamento, pólvora e alimentação. O último documento do arquivo é um boletim de ocorrência da Polícia Militar do Estado, de 1986.

Em 2004, a sede do Apep, situada na Travessa Campos Sales, no Bairro do Comércio, foi fechada para reforma, por conta de problemas estruturais que comprometiam a integridade física do espaço, como infiltrações e mau funcionamento da parte elétrica. Durante esse tempo, o acervo foi colocado à disposição do público em um prédio cedido pela Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), na Travessa Félix Rocque, no Bairro da Cidade Velha. 

O Arquivo Público recebia três visitas previamente agendadas por dia, marcadas pelo site. Há um mês, as consultas foram interrompidas devido à mudança para o prédio original, que passa pela última fase de reestruturação - a restauração de todos os móveis.

Visitação – Após ser reinaugurado, o Arquivo Público receberá visitas sem agendamento prévio, das 09 às 15 h, de segunda a sexta-feira, como forma de estreitar a relação com a sociedade.

“Muita gente pensa que o arquivo é uma coisa específica, para um público específico. Na verdade, os documentos são públicos, qualquer cidadão tem direito a ver essas informações. As pessoas têm medo de entrar no Arquivo; parece que os documentos estão protegidos por uma redoma de vidro, e ninguém se sente à vontade. A gente quer quebrar isso, aproximando inclusive os estudantes, com visitas mais frequentes de escolas”, adiantou Leonardo Torii, diretor do Arquivo Público do Pará desde junho de 2016.

Uma das mais entusiasmadas com essa aproximação do Apep com o público é a ex-diretora Magda Ricci, responsável pela instituição de 2008 a 2009. Na reunião de ex-diretores, ela disse que “um arquivo só se sustenta quando existem pessoas dentro dele. Ele não é morto. As pessoas fazem uma falsa ideia de que o arquivo é apenas um depósito documental, mas na verdade ele tem uma riqueza de opções de utilidade pública. Às vezes as pessoas querem abrir um processo que se originou há muito tempo, e tudo o que elas precisam está lá. Arquivo público não é coisa de historiador. É uma gama de documentos úteis à sociedade, pra resolver questões do cotidiano”, assegurou Magda Ricci.

 

Por Syanne Neno

 

 

Agência Pará de Notícia