Início >> Noticia >> Exposição desvenda os Caxinauás, índios da fronteira entre o Brasil e Peru
  • Increase
  • Decrease

Current Size: 100%

Exposição desvenda os Caxinauás, índios da fronteira entre o Brasil e Peru

 

Desde o dia 1º de fevereiro, está aberta à visitação pública, Galeria Antônio Parreiras do Museu do Estado do Pará, a exposição “Os Caxinauás – Autonomia e Contato”, com obras do etnólogo teuto-brasileiro Harald Schultz (1909/1966), que também era tradutor e ictiólogo e durante mais de trinta anos se dedicou à cultura indigenista. A entrada é gratuita.

Em 1951, o fotógrafo teuto-brasileiro Harald Schultz visitou os caxinauás peruanos que formam a parte menos numerosa do grupo indígena pano que vive na região fronteiriça entre o Brasil e o Peru, na bacia dos rios Juruá e Purus. Estes, na época, ainda viviam em relativo isolamento, ao contrário de seus parentes no lado brasileiro que – desde a época da borracha vivem em contato mais estreito com a população não-indígena e consequentemente passaram  por um processo de aculturação, de integração mais rápido e mais intenso.

As fotografias de H. Schultz e um filme que produziu têm hoje – mais de 60 anos depois da data que marcou o começo de um contato mais intenso entre o grupo peruano e a sociedade maioritária – um grande valor documentativo.  Desde então receberam visitas de missionários, comerciantes, militares, pesquisadores e outros representantes de fora que contribuíram às diversas mudanças sociais. Apesar de as influências e intervenções, o grupo conseguiu manter uma grande parte do seu conhecimento tradicional. Paradoxalmente, a presença dos forasteiros contribuiu à preservação deste conhecimento por ser documentado nos trabalhos dos pesquisadores em textos e em gravações audiovisuais. Hoje em dia, esse material, junto com as recordações dos anciões, serve como base para uma revitalização cultural dos caxinauás em ambos os lados da fronteira.

A história dessa tribo reflete as histórias de muitos povos indígenas da Amazônia: a opressão e dispersão em consequência da exploração de borracha, a dizimação por epidemias, as tentativas de catequização e integração às categorias administrativas nacionais e a luta pelos  direitos  políticos e pela identidade.

Além das fotografias serão exibidas fotografias e o documentário de Harald Schultz assim como material audiovisual (cantos, relatos históricos e mitos narrados por integrantes do grupo, uma entrevista e imagens) e textos de outras épocas que junto esboçam o desenvolvimento dos Caxinauás através da sua história de contatos até os tempos de hoje.

Apesar das influências e intervenções, o grupo conseguiu manter uma grande parte do seu conhecimento tradicional. Paradoxalmente, a presença dos forasteiros contribuiu para a preservação deste conhecimento por ser documentado nos trabalhos dos pesquisadores em textos e em gravações audiovisuais. Hoje em dia, esse material, junto com as recordações dos anciões, serve como base para uma revitalização cultural dos Caxinauás em ambos os lados da fronteira.

Harald Schultz trabalhou no Serviço de Proteção do Índio e no Museu Paulista com os indigenistas marechais Rondon e o alemão Curt Uncke que ao se naturalizar brasileiro passou a se chamar Curt Nimuendajú, que viveu em Belém do Pará a partir de 2013.

A exposição é realizada pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, do Sistema Integrado de Museus e Memoriais e do Museu do Estado do Pará, em parceria com o Instituto Goethe e Casa de Estudos Germânicos, da Universidade Federal do Pará. A curadoria é das linguistas Eliane Camargo e Sabine Reiter em cooperação com Marcelino Piñedo, Alberto Roque Toribio, Hulício Moisés e outros integrantes do grupo Caxinauá. A coordenação artística é de Martin Juef.

A mostra permanecerá na galeria do MEP até o dia 25 de março e será interativa com visitas monitoradas, além de oficinas sobre e de trabalho linguístico cooperativo.

Serviço: Exposição “Os Caxinauás – Autonomia e Contato”, no Museu do Estado do Pará – MEP, Praça D. Pedro II, s/n. - Cidade Velha, Belém – PA, até o dia 25 de março. Contato: 4009-9830. Entrada: Franca.

Fotos: Divulgação

Texto: colaboração de Camila Correia, da Secult