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OSTP é considerada a melhor orquestra de 2017 no Brasil por revista especializada

 

A Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP) foi considerada a melhor orquestra de 2017 pela execução da ópera "Don Giovanni", de Mozart, durante o XVI Festival de Ópera do Theatro da Paz, em setembro. A menção é da revista Movimento, uma das principais publicações de música erudita do país.

O crítico Leonardo Marques, autor do balanço nacional publicado no sábado (30), observou que desde que começou a fazer a retrospectiva anual, com a indicação dos melhores do ano, esta foi a primeira vez que uma orquestra superou a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (OSMSP). A realização do evento foi do Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). 

É um feito para a sinfônica, que encerrou este mês a sua temporada comemorativa de 20 anos de criação. A montagem de Don Giovanni, a grande atração do festival este ano, recebeu ainda destaques de melhor regente com o maestro mineiro Silvio Viegas; melhor cenário pelo trabalho de Nicolás Boni; melhor direção cênica Mauro Wrona; e cantores revelação, com destaque para Kézia Andrade, como Donna Elvira, e o paulistano Anderson Barbosa, o Commendatore. A ópera mozartiana em dois atos tem libreto de Lorenzo da Ponte. 

"Parabéns Maestro Miguel Campos Neto por seu trabalho de longa jornada, que a cada dia é mais e mais reconhecido", disse.

"O diferencial da OSTP para outras orquestras do mesmo porte e da mesma esfera de qualidade, é que em nenhuma outra encontra-se um número tão alto de músicos locais compondo o grupo. Se for observado qualquer estado que tenha uma orquestra de tamanho ou qualidade igual ou superior à nossa, ela é com certeza composta grandemente de músicos de outros estados e muitas vezes estrangeiros. Na OSTP, de 66 músicos, apenas 3 não nasceram no estado do Pará. Isso atesta a grande valorização do músico local e mostra que nós criamos nossos craques em casa. O Pará está em um momento em que não precisa importar músicos para fazer música de qualidade, mas ao mesmo tempo mantém seu importante papel de exportador de músicos para o resto do Brasil e para o exterior", completou Campos Neto.

Don Giovanni

Don Giovanni mostra a história do homem sedutor e que se relaciona com várias mulheres. "Para confeccionar seu libreto, da Ponte baseou-se em outro já existente, escrito por Giovanni Bertati para uma ópera de Giuseppe Gazzaniga, este por sua vez baseado em El Burlador de Sevilla Y Convidado de Piedra, de Tirso de Molina. É importante destacar que outra fonte na qual bebeu o libretista foi a tragicomédia de Molière Dom Juan ou le Festin de Pierre", informa Leonardo Marques.

Portanto, o Don Giovanni, personagem principal é aquele famoso garanhão, o conhecido Don Juan. E a estreia em Belém foi tão aguardada que foi necessário abrir uma apresentação extra no Theatro da Paz, algo pouco comum na história do festival.

A obra foi classificada como um dramma giocoso, termo em italiano que ilustra a junção de cenas dramáticas e cômicas, em um só espetáculo, o que fez Mozart a classificar como "opera buffa" em seu catálogo.

No palco do teatro, interpretam os personagens principais os cantores Homero Velho (barítono), como o próprio Don Giovanni; Marina Considera (soprano), como Donna Anna; Dhuly Contente (soprano) como a camponesa Zerlina; Kézia Andrade (soprano) como a amante Donna Elvira; o espanhol Silverio de La O (baixo barítono), como o criado Leporello; Aníbal Mancinni e Antônio Wilson (tenores) como Don Ottavio; Anderson Barbosa (baixo) como Commendatore, pai de donna Anna; e Idaías Souto (barítono) como Masetto.

O crítico Leonardo Marques assitiu a aprensentação em Belém e à época comentou: "Don Giovanni é uma obra-prima não somente pela música brilhante e soberbamente eficaz de Mozart, mas também pela grande possibilidade de leituras que suscita, e ainda por seu sentido até certo ponto ambíguo: a obra que, em seu desenvolvimento, louva a liberdade e é bastante provocadora tem um final restaurador da ordem – mesmo na versão sem a derradeira cena moralista, como é o caso na atual produção belenense. E nessa oscilação entre revolução e ordem, emoção e razão, desejo sexual e amor, comédia e drama, residem a sedução e o fascínio que não somente o personagem Don Giovanni, mas a própria ópera como um todo exerce há 230 anos na audiência". 

Por Dominik Giusti