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Salão do Livro de Carajás encerra com sucesso de público e vendas

 

De 27 de abril a 06 de maio, Marabá viveu dez intensos dias de programação acadêmica, cultural e literária no Centro de Convenções Leonildo Borges Rocha com o 1º Salão do Livro de Carajás. Uma realização do Governo do Pará, por meio da Secretaria Estadual de Cultural, e Prefeitura de Marabá, através da Secretaria Municipal de Cultura. Durante os dias de evento, a movimentação foi de 60 mil pessoas, superando as expectativas. Os 32 estandes venderam cerca de 55 mil livros, o que girou em torno de um milhão de reais em negócios. Para a Diretora de Cultura da SECULT, Ana Catarina Britto, a avaliação é a melhor que poderia ter.

“Foi montado um salão com excelente infraestrutura, os expositores ficaram extremamente satisfeitos com a infra, organização, com a mobilização de pública e com as vendas. A população compareceu não só nos estandes comprando, mas sobretudo participando dos encontros literários, das palestras, seminários, das rodas de conversa, dos shows. A parceria com a prefeitura de Marabá, por meio da secretaria municipal de cultura foi muito frutífera, se conseguiu construir uma programação de qualidade, diversificada. Uma coisa extremamente positiva foi a quantidade de ônibus vindos de outros municípios de Tucuruí, Conceição do Araguaia, Breu Branco, Itupiranga e outros.”, destacou.

O Secretário de Cultura de Marabá, José Scherer, avaliou como um sucesso o Salão do Livro e ressaltou o desejo de tornar o evento anual dentro do calendário de atividades do município.  “Superou todas as expectativas, a população do sul e sudeste agradece a parceria com o governo do Estado, através da Secult, e o esforço foi grande para apresentar ao povo da região, principalmente ao município de Marabá, um resgate daquilo que as pessoas clamavam há muito tempo. Foi um sucesso de público. Uma coisa que chamou a atenção foi a vinda de grande parte das escolas municipais para o centro, os auditórios sempre lotados, e as escolas fazendo suas apresentações. Isso foi um marco. Eu fico emocionado, agora estamos abertos às recomendações para um futuro salão como esse, enquanto estivermos no comando do governo, vamos fazer esses eventos em prol da população”, garantiu.

O poeta paraense Eduardo Santos estava muito animado com o Salão do Livro de Carajás por ter sido um lugar de visibilidade e boas vendas. “Definitivamente Marabá entrou no calendário de feiras e o que eu posso dizer que foi um sucesso, vendi 90% dos meus livros, o mais legal é esse encurtamento entre autor e leitores. Tenho plenitude de dizer que esse evento é um divisor de águas na literatura e cultura de Marabá”, concluiu.

O presidente da Academia de Letras do Brasil – Seccional Sul e Sudeste do Pará, Javier Di Mar-y-abá, ressaltou que tanto a participação do público, quanto dos escritores de  Marabá e região foi muito boa. “A produção literária que está acontecendo em Marabá e região, eu avalio como uma das maiores revoluções atualmente. Nós temos publicado, nos últimos dois anos, mais de 50 títulos, autofinanciados”, explicou.

No último dia, mesmo quem já tinha comprado muitos livros, aproveitou para pesquisar novos títulos. Foi o caso da esteticista Giovana Campos.  “Gostei muito, tive a oportunidade de comprar livros, participar das apresentações. É muito importante essa presença da feira do livro na nossa cidade”, disse.

CredLivro – Para o 1º Salão do Livro de Carajás, o Governo do Estado disponibilizou bônus de 200 reais para aquisição de livros para os professores da rede estadual de ensino dos 34 municípios das regiões de integração Araguaia, Carajás e Lago de Tucuruí, totalizando 400 mil reais. Segundo Arilene Piedade, coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares, 20 municípios usaram o benefício.

“A nossa avaliação é bem positiva para um primeiro salão, essa adesão de 50% é muito válida. Os professores que não bonificaram o CredLivro aqui, podem, se quiserem, usar em Belém. Eles, inclusive, podem, via procuração, permitir que outras pessoas possam fazer essa compra”, informou.

Enquanto isso, dos professores da rede municipal de ensino de Marabá que ganharam o CredLivro, no valor de 150 reais, disponibilizado pela Secretaria de Educação de Marabá, 85% usufruíram da bonificação, de acordo com a Superintendência de Negócios do Banco do Estado do Pará.

Programação – O Grupo Camapu de Belém encantou as crianças, pela manhã, com o teatro de bonecos “Borbô”. A pequena Maria Alice Antunes de Miranda da Rocha, que só tem quatro anos e diz o nome completo toda orgulhosa, adorou. “Gostei porque tem o pequeno príncipe”, disse a garotinha.

A mãe da Maria Alice, Laena Antunes, disse que a apresentação foi uma das mais esperadas. “É uma linguagem muito poética, que a gente tem a impressão que as crianças não vão compreender, mas no final do espetáculo, a minha sabia que a lagarta tinha virado uma borboleta, estavam atentos, o salão do livro está de parabéns”, avaliou.

À tarde, educadores e estudantes participaram da palestra “Literatura inclusiva: desafios e possibilidades” com a professora da sala de recursos e de literatura Walquiria Milhomem. “O primeiro desafio é fazer o cumprimento das leis, o que está previsto são acessibilidades de um modo geral como arquitetônica, de formação, outro grande desafio é esse processo formativo de quem se encontra nos espaços de leitura e bibliotecas, elas ainda precisam muito do como proceder diante de uma pessoa com deficiência. A gente tem editoras, mais de 40 que já aderiram por questões legais, baseada na LBI (Lei Brasileira de Inclusão) tornar os seus livros acessíveis.

A professora esclareceu que as escolas têm possibilidade de conseguir livros inclusivos no formato Daisy, um novo sistema de livros digitais sonoros que tem como objetivo ajudar deficientes visuais ou qualquer outra pessoa que possua dificuldade de acesso a materiais escritos tradicionais, a partir do correto preenchimento do censo escolar, incluindo os alunos com deficiência. Além disso, Walquiria Milhomem, explicou que algumas instituições filantrópicas e editoras, como a Dorina Nowill, doam livros em braile.

“Às vezes o aluno consta na escola, mas ele não está inserido no censo, como um aluno cego que precisa desse livro acessível. Quando a gente faz a escolha do livro didático junto ao PNDDE, a gente já tem que deixar claro, se vai precisar desse livro e quais os alunos vão precisar. (...) o acesso ao Instituto Benjamim Constant pode viabilizar esse material para o professor, outro acesso é a editora Dorina Nowill e a Arara Azul, sem falar o portal do livro acessível”, explicou.

A programação encerrou com o espetáculo "Burlesque" da Companhia de Dança de Marabá Yaguara, inspirado no musical norte-americano de mesmo nome, que lotou o auditório. Depois a plateia curtiu o circuito sertanejo com Dedê Alves e Banda. 

Novidades do Cordel – Dentro da programação, a Academia Paraense de Literatura de Cordel diplomou os cordelistas residentes em Marabá, Adão Almeida, Uchoa de Castro, Lusinete Bezerra e Valdir Araújo. Segundo o presidente da entidade, Cláudio Cardoso, com os novos diplomados somam 20 cadeiras na academia, mas esse número será duplicado com os novos cordelistas, que serão empossados na 22ª Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém.

“Desde do primeiro encontro de cordelistas, há oito anos, já vinham amadurecendo a ideia de fazer a academia e no dia 09 de janeiro de 2018 concretizamos esse sonho. Agora no oitavo encontro de cordelistas, no dia 09 de junho, na 22º Feira do Livro, a partir das 10 horas da manhã, vamos realizar novas posses, virá a cordelista de Aracaju (Sergipe), Isabel Nascimento, e um do Rio de Janeiro, Aderaldo Luciano. O movimento está crescendo, a ideia é expandir para outros municípios do interior do Estado”, relatou.

 

Por Kelia Santos

Foto Elza Lima