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Preamar do Patrimônio encerra com Feira Cultural de antiguidades e artesanais

Por Quezia Dias (SECULT)
07/11/2022 12h23 - Atualizada em em 16/11/2022 15h22

Realizada neste sábado (5), a feira cultural “Tardezinha Patrimonial” encerrou o cronograma de atividades do Preamar do Patrimônio, programação cultural promovido pelo Governo do Pará, através da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). A atividade aconteceu no Centro Cultural Palacete Faciola, onde artesãos paraenses e colecionadores fizeram a venda de produtos relacionados à história patrimonial paraense. Houve ainda uma apresentação musical do mestre Curica da Guitarrada.

A feira foi montada na área externa do Palacete Faciola e iniciou às 16h, seguinda até de noite. Diversos produtos foram comercializados com o propósito de reforçar a vasta riqueza patrimonial e cultural que existe na região.

O público que visitou a feira pôde comprar peças de leilão que pertenceram as famílias paraenses e de outras regiões brasileiras, discos colecionadores com clássicos da música paraense e popular brasileira, além de livros de diversas autorias, produzidos pela Secult.

A Tardezinha Patrimonial também recebeu produtores paraenses que trabalham com confecções de crochês, velas aromatizadas, joias florais, peças artísticas feitas com resíduos de embarcação e bonecos produzidos com a técnica de papietagem. A venda de ecobags, roupas estampadas, plantas e cadernos personalizados com desenhos autorais também fizeram parte da feira cultural.

A ação tem como finalidade demonstrar a participação patrimonial no cotidiano dos paraenses e apresentar o trabalho dos artesãos, assim como movimentar a economia local com o comércio de artefatos que retratam a história da arquitetura, natureza e da cultura do Pará.

O intuito é fazer as pessoas perceberem que as antiguidades também fazem parte da cultura e devem ser repassadas por gerações, afirma Karina Moriya, diretora do Departamento Histórico, Artístico e Cultural (Dphac) da Secult. “A cultura pode ser representada também através de artefatos pelos quais nos identificamos por fazer parte da nossa vida, por representar algo que gostamos. É uma forma de celebrar a cultura”, ressaltou.

A ação também marca o último dia do Preamar do Patrimônio, que ofereceu ao público uma semana de atividades que se estendeu por vários museus, com rodas de conversas sobre temas que pautam os patrimônios históricos e seu valor à sociedade, além de visitas guiadas e oficinas com alunos de escola pública pelos espaços culturais da Secult.

Trazendo à feira relíquias com mais de 50 anos, a empreendedora Paula Saliba destaca que o interesse em colecionar antiguidades surge aos poucos e, muitas vezes,  começa na própria casa. "Nós procuramos pegar peças que atrai a atenção do público para justamente começar a se interessar e ir formando o hábito, aquela conexão de procuras peças antigas e valorizar".

Assim como os espaços culturais, a música é um patrimônio cultural que antecede gerações. Para Bruno Neves, empreendedor de discos de vinil, cada vez mais os jovens tem se interessado por esse estilo de coleção musical. Para celebrar o patrimônio nacional, a escolha dos discos se deu para representar artistas do Pará e da MPB (Música Popular Brasileira).

"Tem toda uma dinâmica para ouvir o vinil. É um ritual para escutar o disco, limpar, colocar, prestar atenção na música para saber quando o lado vai acabar e mudar para o outro. É muito interessante esse novo público que está surgindo gostando dos discos, muitos pela influência dos pais e acabam herdando, não só os discos, mas o gosto dessa música mais antiga", ressaltou o vendedor.

O historiador Aldrin Figueiredo, da Universidade Federal do Pará (Ufpa), esteve presente na feira cultural após participar da mesa de conversa sobre "O centenário da Semana da Arte Moderna e a sua influência no modernismo na Amazônia". O historiador comentou a importância de manter contínuo as programações que estimulam a participação do público com tudo que está interligado ao patrimônio regional. 

"O patrimônio é vida. O patrimônio está na periferia, está no dia a dia das pessoas. Então, o patrimônio é preservar o testemunho do passado, o que as pessoas viveram. É muito importante incorporar em uma feira como essa e incentivar que mais pessoas frequentem o local", finalizou.