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Janelas da Alma apresenta diferentes olhares sobre a tradição do retrato no Pará

Mostra reúne obras dos séculos XIX ao XXI no Museu do Estado do Pará e propõe reflexões sobre poder, identidade e memória
Por Jhuly Cavalcante (ASCOM)
31/08/2026 11h43

A exposição Janelas da Alma: A Tradição do Retrato nas Coleções de Pintura do Estado do Pará foi aberta nesta sexta-feira (28), no Museu do Estado do Pará (MEP), localizado no Palácio Lauro Sodré, em Belém. A mostra reúne dezenas de obras entre pinturas e fotografias dos séculos XIX ao XXI e apresenta diferentes formas de representação do retrato ao longo da história, passando por questões relacionadas ao poder, à identidade e à memória.

Ao longo da exposição, o público poderá conhecer retratos produzidos em diferentes momentos da história do Pará e da Amazônia. Distribuída em quatro salas, a mostra aproxima obras de diferentes épocas e coloca lado a lado imagens de autoridades, personagens históricos e pessoas comuns, além de apresentar as mudanças na representação do retrato entre a pintura e a fotografia.

Uma das curadoras da exposição, Cássia Rosa, destaca que a pesquisa realizada para a mostra permitiu identificar a diversidade de retratos preservados nos acervos do Estado, para além das imagens oficiais de governantes. “A riqueza do acervo sempre nos surpreende. É possível perceber também os diferentes tipos de suporte, pinturas, fotografias, serigrafias e até mesmo objetos, como pratos. Foram diferentes formas de representação do retrato que nós conseguimos identificar no acervo do Estado do Pará e da Casa das Onze Janelas”, afirma.

Segundo a curadora, o levantamento também revelou a variedade de personagens presentes nas obras. “Reconhecer no meio desses retratos figuras históricas ou pessoas comuns, autorretratos de artistas e até mesmo retratos de animais de estimação. Então, a expectativa é que a exposição possa instigar reflexões sobre a representação de diferentes pessoas em diferentes tempos”, acrescenta Cássia Rosa.

A primeira sala, “Espelho do Tempo”, é dedicada à construção da autoridade por meio do retrato oficial. O espaço reúne imagens de figuras políticas do Império à República e mostra como a arte também foi utilizada para consolidar a imagem de governantes e representar o poder. Entre os personagens retratados estão presidentes da República, governadores do Pará e figuras do período imperial.

Na segunda sala, “O Duplo Retrato”, o foco passa para as relações humanas e as diferentes camadas da identidade. Pinturas e fotografias colocam lado a lado irmãos, casais, crianças e uma mesma pessoa em diferentes idades. O espaço também reúne imagens relacionadas a conflitos e diferentes visões de mundo, trabalhando o retrato a partir do afeto, da passagem do tempo e das relações entre as pessoas.

A terceira sala apresenta o contraste entre diferentes momentos da produção artística, aproximando a tradição acadêmica das transformações trazidas pela arte moderna e pela fotografia. A proposta acompanha as mudanças na maneira de produzir e compreender o retrato e amplia o olhar sobre as formas de representação presentes no acervo.

Já a quarta sala, “Acareação: Quem são os verdadeiros heróis?”, coloca em confronto retratos de figuras ligadas ao poder e imagens de pessoas comuns. De um lado aparecem líderes políticos de períodos autoritários e, do outro, trabalhadores, ribeirinhos, indígenas, mulheres e outros personagens que ajudam a contar a história a partir de diferentes perspectivas. A sala provoca o visitante a refletir sobre quem são os personagens reconhecidos como heróis e sobre o próprio ato de olhar para um retrato.

Para o diretor do Museu do Estado do Pará, Bruno Silva, esse confronto entre as imagens é uma das propostas centrais da exposição. “Nós temos retratos de autoridades que foram consideradas autoritárias, ao mesmo tempo que nós temos também retratos de comunidades tradicionais, que muitas vezes foram vistas por essas autoridades como impedimento para o crescimento da economia ou para o desenvolvimento da sociedade brasileira. Mas essa interpretação é interessante quando é feita pelo visitante”, destaca.

A exposição “Janelas da Alma” tem curadoria de Aldrin Figueiredo, Armando Sobral, Anselmo Paes e Cássia Rosa. A mostra pode ser visitada até o dia 20 de outubro, de de terça-feira a domingo, das 9h às 17h, no Museu do Estado do Pará, com entrada gratuita.

Serviço:
Exposição“Janelas da Alma”
Período: até 20 de outubro, de terça a domingo: 9h às 17h
Local: Museu do Estado do Pará
Entrada gratuita


Texto: Jhuly Cavalcante, sob supervisão da jornalista Lorena Saraiva